Estratégias defensivas utilizadas pela efermagem frente à morte em terapia intensiva pediátrica

Luísa Schirmann Vasconcelos, Silviamar Camponogara, Eliane Tasch Neves, Mônica Strapazzon Bonfada, Gisele Loise Dias, Aline Bin

Resumo


Objetivo: conhecer as estratégias defensivas utilizadas por trabalhadores de enfermagem para minimizar o sofrimento advindo da vivência da morte de crianças hospitalizadas em unidade de terapia intensiva pediátrica. Método: estudo descritivo-exploratório de abordagem qualitativa. Em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica de um hospital universitário. A coleta de dados ocorreu entre agosto e setembro de 2016, por meio de entrevista semiestruturada com 15 trabalhadores de enfermagem. Os dados foram submetidos à análise temática de conteúdo. Resultados: os dados apontaram como principais estratégias: negação, afastamento no momento do óbito, tentativa de separação entre as atividades laborais e vida pessoal. A família do trabalhador e os colegas de trabalho constituem-se em suporte para o enfrentamento dessas situações, ainda, a sensação de dever cumprido e busca de apoio em crenças religiosas. Conclusão: os trabalhadores utilizam estratégias defensivas que vão da negação do sofrimento, perpassando por diferentes formas de agir perante as situações de sofrimento.

Descritores: Criança hospitalizada; Enfermagem; Unidade de terapia intensiva; Saúde do trabalhador; Família.

 

Objective: to know the defensive strategies used by nursing workers to minimize the suffering resulting from the experience of the death of children hospitalized in a pediatric intensive care unit. Method: descriptive-exploratory study of a qualitative approach. In Pediatric Intensive Care Unit of a university hospital. Data collection occurred between August and September 2016, through a semi-structured interview with 15 nursing workers. The data were submitted to content thematic analysis. Results: the data indicated as main strategies: denial, withdrawal at the time of death, attempt to separate work activities and personal life. The worker's family and co-workers constitute support for coping with these situations, as well as a feeling of accomplishment and seeking support in religious beliefs. Conclusion: workers use defensive strategies ranging from denial of suffering through different ways of acting in situations of suffering.

Descriptors: Children hospitalized; Nursing; Intensive care unit; Worker's health; Family.

 

Objetivo: conocer las estrategias defensivas utilizadas por trabajadores de enfermería para minimizar el sufrimiento proveniente de la vivencia de la muerte de niños hospitalizados en unidad de terapia intensiva pediátrica. Método: estudio descriptivo-exploratorio de abordaje cualitativo. En Unidad de Terapia Intensiva Pediátrica de un hospital universitario. La recolección de datos ocurrió entre agosto y septiembre de 2016, por medio de una entrevista semiestructurada con 15 trabajadores de enfermería. Los datos se sometieron al análisis temático de contenido. Resultados: los datos apuntaron como principales estrategias: negación, alejamiento en el momento del óbito, intento de separación entre las actividades laborales y vida personal. La familia del trabajador y los compañeros de trabajo se constituyen en soporte para el enfrentamiento de esas situaciones, aún, la sensación de deber cumplido y búsqueda de apoyo en creencias religiosas. Conclusión: los trabajadores utilizan estrategias defensivas que van desde la negación del sufrimiento, pasando por diferentes formas de actuar ante las situaciones de sufrimiento.

Descriptores: Niño hospitalizado; enfermería; Unidad de terapia intensiva; Salud del trabajador; Familia.


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DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2020.v11.n2.2548

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