Caracterização da restrição física de pacientes em unidades de cuidados intensivos de hospital geral

Karoliny Cavalheiro da Silva, Marcio Roberto Paes, Tatiana Brusamarello

Resumo


Objetivos: caracterizar a restrição física de pacientes em unidades de cuidados intensivos de um hospital geral. Método: pesquisa quantitativa, descritiva realizada em unidades de terapia intensiva de hospital geral em 2019. Foram observados 80 episódios de restrição física em 33 pacientes. Utilizou-se um instrumento estruturado para coletar os dados, que foram analisados por estatística simples. Resultados: todas as restrições mecânicas estavam aplicadas nos membros superiores com a utilização de pulseiras, das quais 77,5% eram de ataduras de crepe com compressa cirúrgicas; 86,3% dos casos tinham restrição parcial dos movimentos. Do total das restrições, 96,2% ocorreram em pacientes com sonda nasogástrica/enteral, 67,5% em pacientes sob ventilação mecânica; 53,9% dos casos os pacientes estavam sob sedação; 33,3% apresentavam agitação psicomotora. Houve somente 5,2% de registros de enfermeiros e 42,5% de técnicos de enfermagem no prontuário do paciente, contudo inexistia a prescrição médica ou de enfermagem do procedimento. Conclusões: identificou-se a falta de critérios definidos para o uso da restrição física dos pacientes. A inexistência de prescrição de enfermagem ou médica e baixa qualidade e quantidade de registros sobre o procedimento interferiu na compreensão da justificativa do emprego da restrição física.

Descritores: Enfermagem; Cuidados de enfermagem; Restrição física; Unidades de terapia intensiva; Hospitais gerais.

 

CHARACTERIZATION OF PHYSICAL RESTRICTION OF PATIENTS IN INTENSIVE CARE UNITS IN A GENERAL HOSPITAL

Objectives: to characterize the physical restriction of patients in intensive care units of a general hospital. Method: quantitative, descriptive research conducted in intensive care units of a general hospital in 2019. The researchers observed eighty episodes of physical restriction in 33 patients. A structured instrument was used to collect the data, which were analyzed using simple statistics. Results: all mechanical restrictions were applied to the upper limbs with the use of bracelets, of which 77.5% were made of crepe bandages with surgical compresses; 86.3% of the cases had partial movement restriction. Of the total restrictions, 96.2% occurred in patients with a nasogastric/enteral tube, 67.5% in patients on mechanical ventilation; 53.9% of the cases the patients were under sedation; 33.3% had psychomotor agitation. There were only 5.2% of nurses' records and 42.5% of nursing technicians in the patient's health charts, however there was no medical or nursing prescription for the procedure. Conclusions: it was identified the lack of defined criteria for the use of the' physical restrictions. The lack of a nursing or medical prescription and low quality and quantity of records on the procedure interfered with the understanding of the justification for the use of physical restriction.

Descriptors: Nursing; Nursing care; Physical restriction; Intensive care units; General hospitals.

 

CARACTERIZACIÓN DE LA RESTRICCIÓN FÍSICA DE PACIENTES EN UNIDADES DE CUIDADOS INTENSIVOS EN UN HOSPITAL GENERAL

Objetivos: caracterizar la restricción física de pacientes en unidades de cuidados intensivos de un hospital general. Método: investigación cuantitativa y descriptiva realizada en unidades de cuidados intensivos de un hospital general en 2019. Se observaron 80 episodios de restricción física en 33 pacientes. Se utilizó un instrumento estructurado para recopilar los datos, que se analizaron mediante estadísticas simples. Resultados: todas las restricciones mecánicas se aplicaron a las extremidades superiores con pulseras, de las cuales el 77,5% estaban hechas de vendas con compresas quirúrgicas; el 86,3% de los casos tenían restricción de movimiento parcial. Del total de restricciones, el 96.2% ocurrió en pacientes con sonda nasogástrica / enteral, el 67.5% en pacientes con ventilación mecánica; El 53,9% de los casos los pacientes estaban bajo sedación; El 33,3% tenía agitación psicomotora. Solo había 5,2% de los registros de las enfermeras y el 42,5% de los técnicos de enfermería en la historia clínica del paciente, sin embargo, no hubo prescripción médica o de enfermería para el procedimiento. Conclusiones: se identificó la falta de criterios definidos para el uso de las restricciones físicas de los pacientes. La falta de una receta médica o de enfermería y la baja calidad y cantidad de registros en el procedimiento interfirieron con la comprensión de la justificación para el uso de restricción física.

Descriptores: Enfermería; Atención de enfermería; Restricción física; Unidades de cuidados intensivos; Hospitales generales.


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DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2020.v11.n3.3239

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